Terça, 23 de Julho de 2024
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Meio Ambiente Dragagem

Dragagem do Itajaí-Açu: ação do Estado para prevenir enchentes no Vale retira pedras, areia, árvores e até pneus do leito do rio

Esta fase do projeto prevê 8,2 km de desassoreamento e a recomposição da mata ciliar

13/06/2024 12h14
Por: Jaime Júnior Soares
Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom
Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom

A obra de melhoramento fluvial no rio Itajaí-Açu, iniciada pelo governador Jorginho Mello no dia 11 de maio de 2024, tem diversos detalhes que pouco a pouco passam a fazer parte da rotina dos moradores de Rio do Sul. Nas primeiras ações já foram retirados do leito do rio diversos pneus e todo o tipo de lixo, incluindo até aparelhos eletrônicos como geladeira e televisão. Tudo deve ser transportado para um bote espera ou para o “Bota Fora”, espécie de porto nas beiras do rio.

“Esse é um grande projeto e estamos cheios de esperança de que vamos aliviar o sofrimento de quem vive na região do Médio e Alto Vale e, com recorrência, vem sendo atingido por enchentes. Sabemos que é um longo e complexo processo e estamos fazendo tudo com muita seriedade, mas a o Governo também precisa da ajuda da sociedade. As pessoas precisam se conscientizar sobre a importância de cuidar da natureza e evitar jogar lixo nas ruas. São materiais que depois acabam entupindo bueiros e também indo para os rios”, diz o governador Jorginho Mello.

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Esta fase do projeto prevê 8,2 km de desassoreamento, melhoramento das margens com retaludamento e a recomposição da mata ciliar. O investimento total do Governo catarinense para o serviço será de R$ 16,2 milhões.

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Durante os próximos seis meses, a população vai se habituar a ver até quatro equipamentos de trabalho nas águas, cada um deles com uma retroescavadeira hidráulica, a plataforma, um rebocador e uma balsa contêiner. Cada balsa comporta aproximadamente 80 metros cúbicos do material a ser retirado: pedra, areia, madeira, árvores e, eventualmente, lixo.

O secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, explica que, ao contrário do senso comum, esse tipo de serviço não pode ser feito com dragagem de sucção, como visto em praias, por exemplo. “Para um trabalho efetivo em leito de rio, principalmente que sofreu com inundações, inevitavelmente quando falássemos de desassoreamento, uma draga por sucção, não faria o serviço completo e sem dúvida nenhuma teria ainda muito problema com o equipamento. O correto é utilizar uma retroescavadeira hidráulica, porque ela precisa fazer a remoção não apenas de areia, mas solo e materiais sólidos”, explica o secretário.

Além de estarem preparados para encontrar todo tipo de material dentro do rio, os equipamentos também podem se adequar à profundidade das águas. Em certos locais, a distância da superfície até o fundo varia entre três metros e apenas 40 centímetros. Tudo isso foi pensado para que o processo fosse concluído da melhor maneira possível, tanto que o equipamento tem capacidade de operar em até quatro metros de fundura.

“A gente optou por tamanhos diferentes em função da profundidade do rio. Tem lugares que ele é mais profundo então precisa de uma lança um pouco maior e a escavadeira tem um porte maior e o peso dela também é maior. Com isso, a plataforma precisa ser maior e isso dificulta em alguns lugares a navegação. Então a gente tem uma menor, que é a de início, para ela poder navegar nos lugares mais rasos e fazer a primeira abertura e principalmente trabalhar perto do talude do rio, onde fica mais fácil. Já a outra, maior, vai na parte mais funda do rio e faz uma escavação melhor”, explicou o engenheiro responsável pelos trabalhos, Denílson Sardá.

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Já é possível ver a primeira área que passou pela limpeza dos taludes ou barrancos dos rios. A ação, feita por equipamento em terra, é necessária porque muita vegetação que se desenvolve por lá não consegue se manter durante fortes chuvas ou enchentes. É uma vegetação que acaba se quebrando e sendo levada para dentro da água.

A mata nativa, de preservação obrigatória, está sendo mantida, como explica Denílson: “A gente não vai retirar toda a vegetação e sim a parte que está prejudicando na hora que levanta a água. Que são aquelas que estão penduradas, que estão caindo ou que estejam muito velhas. Ou mesmo aquelas enraizadas pequenas que são coisas que só servem para segurar a sujeira, a gente está fazendo essa limpeza. E a preservada a gente não pode mexer, essa continua”, disse.

Projeto maior do que o previsto pela JICA

Vale lembrar que o estudo desenvolvido pela Japan International Cooperation Agency (Jica) no Vale do Itajaí resultou em uma publicação de um plano diretor de mitigação de inundações. O documento sugeria apenas a ação de melhoramento de margem em cinco pontos da área urbana de Rio do Sul, nos 8,2 km contemplados. No entanto, o que está previsto para ser feito agora, por determinação do governador Jorginho Mello, abrange muito mais do que o indicado pelo estudo.

“Esse serviço que está sendo desenvolvido na área urbana de Rio do Sul, envolve tudo isso que estava previsto inicialmente nos estudos da Jica e nos projetos posteriores, mas também e, principalmente, o desassoreamento de todo o trecho de 8,2 km, sendo 4,5 km no rio Itajaí-açu, 3 km no Rio Itajaí do Oeste e 700 metros no rio, Itajaí do Sul”, conclui o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza.

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