
O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil. O problema preocupa especialmente porque pode evoluir durante anos sem apresentar sinais. Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que aproximadamente 40% dos adultos brasileiros convivem com níveis elevados de colesterol.
Com o passar do tempo, o excesso da substância favorece o acúmulo de gordura nas artérias, podendo reduzir ou bloquear a circulação sanguínea e aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações. A cardiologista Rafaela Penalva, chefe da Seção de Cardiometabolismo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, destaca que justamente a ausência de sintomas dificulta a identificação precoce do problema.
O risco é maior entre pessoas com histórico familiar, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão e diabetes, além daquelas que mantêm alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados. Há também casos de origem genética, como a hipercolesterolemia familiar, que pode provocar níveis muito elevados desde a infância e antecipar o risco cardiovascular.
A identificação é feita pelo perfil lipídico, exame de sangue que avalia colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. A frequência dos exames deve considerar idade e fatores individuais de risco. O tratamento começa, geralmente, com mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, exercícios físicos, controle do peso e abandono do cigarro. Dependendo do quadro, medicamentos como as estatinas também podem ser indicados.
Segundo a especialista, o objetivo não é apenas reduzir os números apresentados nos exames, mas principalmente diminuir as chances de infarto, AVC e morte cardiovascular. Por isso, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico e exames preventivos regularmente são medidas fundamentais para detectar alterações precocemente e proteger a saúde do coração.